O roubo de carga no estado do Rio de Janeiro está em queda constante desde o pico de 2017. Em 2023, foram 3.225 ocorrências — uma redução de quase 24% em relação a 2022 e o menor patamar em 11 anos, segundo nota técnica da Firjan baseada em dados do ISP-RJ. Em 2025, o número caiu ainda mais, para 3.114 casos — o menor patamar em 13 anos.
À primeira vista, é uma boa notícia. Mas o dado agregado esconde uma distorção geográfica importante: enquanto o estado melhora, a região de Duque de Caxias e entorno caminha na direção contrária.
Em 2023, a CISP 59 (Duque de Caxias) já era a região com maior concentração de casos do estado — 11% do total, mesmo estando em queda naquele ano específico (-4%). O padrão mudou em 2025: a região isoladamente registrou 399 ocorrências, alta de 29% sobre 2024. Duque de Caxias e municípios do entorno somados concentraram 36% de todos os casos do estado em 2025.
Não é coincidência: 97% dos casos de roubo de carga no RJ acontecem na Região Metropolitana, concentrados perto de rodovias como BR-040, BR-101, BR-116 e BR-493 (o chamado Arco Metropolitano) — exatamente onde ficam os principais polos industriais e de distribuição do estado, incluindo o Polo Petroquímico de Campos Elíseos e o Distrito Industrial de Xerém, ambos com alta de 20% e 39% respectivamente em 2023.
Um número estadual em queda pode criar uma falsa sensação de segurança em quem opera especificamente na Baixada Fluminense. Os dados mostram o oposto: é justamente aí que o risco está crescendo, com um aumento de quase 30% num único ano na região de maior concentração histórica.
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